segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Economia Contemporânea - Módulos 2 a 6 - Prova 22/09/15

Economia Contemporânea


Assunto: Crise dos anos 80 (endividamento externo, crise fiscal do Estado, estagnação econômica e descontrole inflacionário)


PSI - Esgotamento

Crise do Anos 60 

-> Crise Econômica (Fase Industrial):
Queda dos Investimentos.
Queda na taxa de crescimento da renda. 

-> Instabilidade Política:
Eleição de Jânio Quadros e João Goulart (partidos rivais). 

-> Crise do Populismo:
Elite passa a ter dúvidas sobre a real capacidade dos governantes em manter compromissos políticos. 

Jânio Quadros
-> Política Econômica Restritiva: adota medidas de cunho ortodoxo

• Regime Cambial: unificação mercado cambial. 
• Justificativa: reduzir dificuldades do Balanço de pagamentos o que ajudaria no controle da inflação. 

• Política Fiscal e Monetária Contracionistas.
•  Controle dos gastos públicos.
•  Redução dos subsídios concedidos a importação de petróleo e trigo.
•  Controle das emissões de moeda.
•  Aumento da taxa de juros.
• Medidas adotadas: bem recebidas pelos credores do Brasil junto ao FMI. 
  • Rolagem da dívida externa: vencimento entre 1961 e 1965.
  • Obtenção de novos empréstimos com bancos estrangeiros. 
• Política Externa: Postura independente.
• Não contava com uma base parlamentar de sustentação. 

Renuncia J. Quadros em 25/ago/61 (8 meses após eleição).
João Goulart (vice): estava em viagem à China comunista.
Fortes pressões entre os militares e civis para não assumir.
Aceleração Inflacionária (resultante do Plano de Metas). 

• Visão Estagnacionista:
Redução nas taxas de crescimento do produto devido ao 
esgotamento do dinamismo do PSI. 
Necessidade de desenvolver o setor de bens de capital e ampliar setor de bens intermediários. 

João Goulart 
  • Visto como populista e favorável aos trabalhadores.
  • Congresso adota uma solução conciliatória e aprova novo 
regime de governo: PARLAMENTARISMO. 
Presidente com poderes diminuídos.
  • 07/set/61 – João Goulart presidente e Tancredo Neves primeiro ministro.
  • Ministro da Fazenda: Walter Moreira Salles. 


-> Plano Trienal 

• Ênfase ao aprofundamento do PSI como forma de enfrentar os pontos de estrangulamento. 
• 1963: missão para EUA para renegociar a dívida foi um fracasso. 
• Críticas às políticas contracionistas: abandono das medidas ortodoxas por parte de Goulart. 
  • Restituição dos subsídios ao trigo e ao petróleo
  • Reajuste no funcionalismo: 60%.
  • Reajuste do salário mínimo: 56%.
  • Inflação: de 1,6% para 6,3%. 

Resultados (1963): 

• Econômicos: 
•  Descontrole das contas públicas
•  Déficit no Balanço de Pagamentos intensificado com a ↓ na entrada de K autonômos
•  Forte desaceleração da atividade econômica resultante das medidas contracionistas do Plano Trienal 

• Políticos:
• Instabilidade econômica gera radicalização no país.
• Crescimento da politização militar.
• 31 Março 1964 – golpe civil militar derruba João Goulart.

1964 - Golpe Militar

Após a deposição de Goulart, entra em cena uma legislação baseada em atos instituicionais. O objetivo é neutralizar lideranças e organizações sociais e políticas da esquerda em geral. Foram quatro atos até a posse do general Costa e Silva, em 1967, quando entra em vigor nova Constituição. O conflito político cresce. 

• Governo: Marechal Humberto Castello Branco (1964/1967)
  • Ministério da Fazenda: Otávio de Gouveia Bulhões
  • Ministério do Planejamento: Roberto Campos 
  • Cenário Econômico: desequilíbrio monetário e externo. 
  • Objetivos de política econômica: 
    • 1. Combate à inflação.
    • 2. Expansão das exportações.
    • 3. Retomada do crescimento econômico. 

AI-1 

•  Ato Institucional no 1 – 9 de abril de 1964 confere novos poderes ao executivo, embora afirmasse a validade da Constituição de 1946.
•  Poderes:
•  submeter emendas constitucionais ao congresso;
•  decretar estado de sítio e prorrogá-lo até 30 dias sem aprovação do congresso;
•  suprimir direitos políticos até por 10 anos;
•  enviar projetos cujos gastos não podiam ser cortados pelo congresso;

O autoritarismo crescente..... 
Três fatores contribuíram: 
1. Militares que participaram da queda de Goulart se transformam em censores ativos da vida política, convictos em evitar a linha populista. 
2. A desorganização e o oportunismo da elite política. 
3. A relativa apatia da sociedade civil. 


PAEG 
Plano de Ação Econômica do Governo 
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(Período de 1964 a 1967)

  • Fase de ajuste conjuntural e estrutural da economia

  • Duas Linhas de Ação para o baixo crescimento econômico e inflação:

  • 1. Adoção de um plano de estabilização de preços: PAEG. 
  • 2. Lançamento de reformas estruturais: reforma fiscal e financeira. 

• Objetivo Geral: Correção do quadro de desequilíbrios que prevalecia na economia para retomada do crescimento. 

PAEG: Desequilíbrios 
• Da produção industrial.
• Da distribuição regional, funcional e setorial da renda. • Do elevado déficit público.
• Do balanço de pagamentos.
• Da necessidade de ampliar o mercado consumidor. 
  • Da inflação 

• Razões do processo inflacionário: 
1. aos déficits governamentais;
2. a expansão de crédito às empresas e; 
3. contínua pressão salarial em proporção superior ao aumento de produtividade. 

PAEG e Inflação 
No diagnostico de Campos e Bulhões: 
“as três causas tradicionais da inflação brasileira: os déficits públicos, a expansão do crédito às empresas e as majorações institucionais de salários em proporção superior à do aumento de produtividade. Estas causas conduzem inevitavelmente à expansão dos meios de pagamento, gerando o mecanismo monetário de propagação da inflação” 
(REZENDE, 1990) 

• Políticas conjunturais de combate à inflação. 
• Reformas estruturais (fiscal e financeira). 
O controle inflacionário e as formas de conviver com a inflação eram vistos como pré-condições para a retomada do desenvolvimento. 

Diagnóstico da inflação: Excesso de demanda 

•  déficit público.
•  política salarial frouxa.
•  falta de controle sobre a expansão do crédito.
Medidas estabilizadoras do PAEG:
•  Redução do déficit público: redução dos gastos e aumento das tarifas públicas (inflação corretiva).
•  Restrição do crédito e aperto monetário: aumento das taxas de juros reais e do passivo das empresas (falências e concordatas).
•  Política Salarial: política para reajustes salariais.
PAEG: Combate à Inflação 

  • Formas de lidar com a Inflação: Inflação como mal aceitável.
  • Aprender a conviver com a inflação.
  • Correção monetária e indexação. 
  • Atitude gradualista no combate à inflação: desconsideração de tratamentos de choque. 

Redução da Inflação e Retração nas taxas de crescimento econômico. 


Reformas instituídas pelo PAEG: 
  1. Reforma tributária.
  2. Reforma monetária-financeira.
  3. Reforma do setor externo. 

REFORMA TRIBUTÁRIA 

Objetivo Geral da Reforma Tributária:

Aumentar a arrecadação do governo e racionalizar o sistema tributário, eliminando impostos de pouca relevância financeira e definir uma estrutura capaz de incentivar o crescimento econômico. 

• Correção monetária no sistema tributário
• Transformação dos impostos em cascata em impostos sobre valor adicionado: IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados)e ICM (Imposto sobre Circulação de Mercadorias).
•  Redefinição do espaço tributário entre as diversas esferas do governo. 
•  União - IPI, IR (Imposto de Renda), ITR (Imposto Territorial Rural).
• Estados - ICM.
•  Municípios – ISS (Imposto sobre Serviços) e IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).

- Fundos de transferência intergovernamentais: os Fundo de Participação dos Estados e o dos Municípios (FPEM). 
- Parte dos impostos arrecadados no nível federal era repassado às demais esferas do governo (centralização do poder sobre as receitas dos municípios) 
- Surgimento de vários fundos parafiscais: importantes fontes de poupança compulsória 
- FGTS: Fundo de Garantia por Tempo de Serviço PIS: Programa de Integração Social. 


Reforma Tributária: Consequências
• Aumento da carga tributária: 16 % do PIB em 1963 para 21% em 1967.
• Centralização da arrecadação e das decisões de política tributária.
• Descentralização dos gastos: maior flexibilidade operacional. 


REFORMA MONETÁRIA

Objetivo Geral da Reforma Monetária:

Complementar o Sistema Financeiro Brasileiro (SFB) constituindo um segmento privado de longo prazo. 

O País precisava de: 
• Mecanismo de financiamento capaz de sustentar o processo de industrialização sem causar inflação. 
• Regras claras para o funcionamento do mercado de capitais. 

Reforma Monetária: Medidas

1) Instituição da correção monetária (taxas de juros positivas) e da ORTN (Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional). 
-  Mercado de títulos para financiamento do déficit público.
-  Correção Monetária da Dívida Pública. 

2) Criação do CMN (Conselho Monetário Nacional) e do Bacen. 
- CMN: órgão normativo da política monetária.
- Bacen: órgão executor da política monetária e fiscalizador do sistema financeiro.
3) Criação do SFH (Sistema Financeiro da Habitação) e do BNH (Banco Nacional da Habitação). 
Objetivo: eliminar déficit habitacional atribuído à falta de financiamento. 

4) Reforma do sistema financeiro e do mercado de capitais: criação da Lei do Mercado de Capitais. 
- Base: modelo financeiro norte-americano (especialização e segmentação do mercado). 
- Bancos Comerciais, Financeiras e Bancos de Investimento, Bancos de Desenvolvimento Estatais, Bolsa de Valores, Corretoras e Sistema Nacional de Crédito Rural. 

- Resolução 63: regulamentando a captação de empréstimos externos pelos bancos nacionais para repasse às empresas domésticas 

Regulamentação dos bancos de investimento para atuarem no segmento de crédito de longo prazo e mercado primário de ações. 
Mudança na legislação para facilitar remessa de lucros ao exterior, a fim de tornar o mercado mais atraente a investimentos diretos. 

SETOR EXTERNO 

• Objetivos: estimular o desenvolvimento evitando as pressões sobre o Balanço de Pagamentos. 
  • Duas linhas de Atuação:
    • 1. Melhorar o comércio externo brasileiro.
    • 2. Atrair o capital estrangeiro. 


Reforma do Setor Externo: Comércio

•  Estimular e diversificar as exportações: incentivos fiscais e modernização dos órgãos ligados ao comércio internacional (CACEX e CPA).
•  Importações: eliminar os limites quantitativos. - Política Tarifária como controle.
• Unificação do sistema cambial e adoção do sistema de minidesvalorizações (1968).
- Variação cambial devia refletir o diferencial entre a inflação doméstica e a internacional.
Reforma do Setor Externo: K Internacional 

• Atração do capital estrangeiro:
• Renegociação da dívida externa e Acordo de Garantias para o 
Capital Estrangeiro.
• Fortes influência dos seguintes fatores: 
• Lei 4131: acesso direto das empresas ao sistema financeiro internacional. 
• Resolução 63: captação de recursos externos pelos bancos comerciais e de investimento para repasse interno. 


PAEG - RESULTADOS:
•  Alteração do quadro institucional vigente na economia brasileira: necessidades de uma economia industrial.
•  Montagem de um esquema de financiamento que viabilizava a retomada do crescimento.
•  Estado: maior capacidade de intervenção econômica.
•  Êxito na redução da inflação: preparação para a retomada do crescimento.
1968: Ato Institucional 5

  • 13 de dezembro de 1968 até dezembro de 1978.
  • Governo: General Costa e Silva.
  • Elenco de ações arbitrárias de efeitos duradouros. 
  • Poder de exceção aos governantes para punir arbitrariamente os que fossem inimigos do regime ou como tal considerados. 

  • 1968: "o ano que não acabou”.
    • Grande contestação da política e dos costumes.
    • Movimento estudantil: demanda por novas liberdades. 

• Presidente da República: autorização em caráter excepcional e, portanto, sem apreciação judicial, a: 
  • Decretar o recesso do Congresso Nacional;
  • Intervir nos estados e municípios;
  • Cassar mandatos parlamentares;
  • Suspender, por dez anos, os direitos políticos de qualquer cidadão;
  • Decretar o confisco de bens considerados ilícitos; 
- Suspender a garantia do habeas-corpus. 


  • Decretado o recesso do Congresso Nacional por tempo indeterminado - só em outubro de 1969 o Congresso seria reaberto. (para referendar a escolha do general Emílio Garrastazu Médici para a Presidência da República). 

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MILAGRE ECONÔMICO 
1968 - 1973 

  • Governos:
  • 1967 a 1969: Marechal Artur da Costa e Silva
  • 1969 a 1974: Emílio Garrastazu Médici. 
• Ministro da Fazenda: Antônio Delfim Netto. 

• Período 1968-73: maiores taxas de crescimento do produto brasileiro na história recente (taxa média acima de 10% a.a.). 
  • Inflação: em torno de 20 a 30% ao ano (Política Gradualista de combate à inflação).

Objetivos Econômicos 

DELFIM NETO:

• Continuar com o controle Inflacionário.
- Interpretação: custos e capacidade ociosa 

• Retomar Níveis de rescimento (cerca de 6% ao ano). 
- Incentivar investimentos e crédito 

Objetivos Políticos 

• Período Militar precisava apresentar CONTROLE e RESULTADOS 
• FOCO DA POLÍTICA DO PERÍODO: 
- Inflação.
- Dinamismo ao setor produtivo.
- Política de crédito. 

Cenário 
•  Reformas institucionais anteriores.
•  Capacidade ociosa na indústria.
•  Crescimento da economia mundial.
•  Mudança no diagnóstico da inflação: política gradualista.
•  De Inflação de Demanda para Inflação de Custos.
•  Afrouxamento das Políticas de contenção da demanda (monetária, fiscal e creditícia – exceto salários).
•  Conselho Interministerial de Preços (CIP) em 1968.
INFLACÃO 

Combate à Inflação: 
  • Focar nos fatores que causam a inflação de custos
a) Expansão do crédito ao consumidor: redução da capacidade ociosa da economia. 

b) Subsídios ao setor agrícola: 
• Isenção fiscal e juros baixos.
• Assegurar a oferta suficiente de alimentos sem pressionar 
custos.
• Atender a demanda. 

c) Incentivo ao setor imobiliário: 
• SFH permitiu a utilização da capacidade ociosa dos setores de construção civil. 

SETOR PRODUTIVO 

Dinamismo ao Setor Produtivo:
• Incentivar setores capazes de exportar bens de alto valor agregado.
a) Incentivo à entrada de capitais sob forma de empréstimos: 
• Benefício utilizado principalmente pelas empresas estrangeiras. 
b) Forte participação do BNDE como fomentador do investimentos produtivos. 
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Dinamismo ao Setor Produtivo 
c) Definição do segmento “carro-chefe” do desenvolvimento: 
• Bens Duráveis. 
d) Incentivos ao setor exportador: 
• Subsídios.
• Políticas de mini-desvalorizações cambiais. 


REFORMAS 

Reformas Monetária e de Crédito 
a) Incentivar expansão do crédito: 
  • Interpretação sobre o setor bancário: INEFICIENTE

b) Controle direto as taxas de juros: 
  • Estabelecimento de teto para aplicações e captações.

  • c) Expansão da Liquidez controlada pela emissão de Títulos Públicos: 
• Taxa de juros de instituições oficiais para alguns setores chegavam a ser negativas 

d) Aumento de incentivos para empréstimos pelos bancos: 
• Políticas de remuneração dos depósitos compulsórios. 
• Redução das taxas de Depósitos Compulsórios como incentivo à contenção dos juros (de 70% em 1967 para 36% em 1973). 
• Empréstimos Externos via Resolução 63. 

Impactos no Setor Bancário 
REFORMA BANCÁRIA: 
  • Entre 67 e 73 haviam 190 bancos comerciais
  • Final de 73 haviam 115 bancos comerciais 

Impactos na Capacidade Ociosa 
OCUPAÇÃO DA CAPACIDADE OCIOSA DAS EMPRESAS: 
- 1967: 76%
- 1971: 93%
- 1972/73: 100% 

Reforma Fiscal 
• Eficiência da máquina governamental com arrecadação crescente: 
- 1963 = déficit de 4,2% - 1966 = déficit de 1,1% - 1973 = superavit de 0,06% 

Impostos: 
• Criação do IOF (1972) = 3,8% da receita em 1973; 
• IPI = mais importante = 36,2% em 1973; 
• IR = 24,3% em 1973; 
  • Impostos para bens importados: apenas 7,2% (incentivo às importações de máquinas e equipamentos) 

Resultado Principal: 
EXPANSÃO DOS INVESTIMENTOS E SURGIMENTO DE NOVAS EMPRESAS ESTATAIS. 


Empresas Estatais 
• Foram criadas entre 1967-1973: 
• 231 novas Empresas Públicas:
• 175 na área de serviços.
• 42 na indústria de transformação. Ø 12 em mineração.
• 2 na agricultura. 
• Consolidação do monopólio estatal de eletricidade, telecomunicações (criação à época da Eletrobrás, Telebrás e Embratel). 
• Ideologia desta expansão: prioridade era o crescimento e desenvolvimento de setores que não eram interesse do setor privado. 
• Financiamento: BNDE e empréstimos externos (BcMundial e BID) 

Exemplos de Empresas Estatais 
• Rodovia Transamazônica.
• Usina Hidrelétrica de Itaipu.
• Usina Hidrelétrica de Tucuruí.
• Ferrovia do Aço
• Telebrás.
• Hidrelétrica de Jupiá.
• Embratel.
• Usina Nuclear Angra I.
• Ponte Rio Niterói.
• Polo Petroquímico de São Paulo. 
• Usina Hidrelétrica de Ilha Solteira. 

Síntese dos Fatores Favoráveis ao Milagre 
1) Existência de capacidade ociosa na economia.
2) Forte liquidez no mercado internacional: Eurodólares e Petrodólares. 3) Regime autoritário.
4) Adoção de controle dos preços.
5) Tabelamento das taxas de juros. 
6) Política de minidesvalorizações cambiais de acordo com a inflação, evitando perda de competitividade das exportações. 

RESULTADOS 

Endividamento Externo 
• Dívida externa: cresceu em torno de US$ 9 bilhões. 
•  Estímulo ao endividamento externo brasileiro.
•  Elevada demanda por crédito.
•  Taxas de juros internas elevadas (reforma de 64/66).
•  Grande liquidez no sistema financeiro internacional.
•  Principais tomadores de recursos externos: setor privado (especialmente estrangeiro).

CRESCIMENTO DA DÍVIDA EXTERNA 

Elevada Participação do Setor Público 
• Estado controlava os principais preços da economia: câmbio, salário, juros, tarifas e uma política de preços administrados via CIP. 
• Estado respondia pela maior parte das decisões de investimento: investimentos da administração pública, empresas estatais, captação de recursos financeiros como fundos de poupança compulsória, títulos públicos, cadernetas de poupança, entre outros. 

Concentração de Renda 
• Principal crítica ao Milagre: Acentuação da concentração de renda. 
• Concentração de renda que se fazia no período está baseada na famosa “Teoria do Bolo” (crescer para depois repartir). 
• Explicação: tendência de um país que se desenvolvia e que demandava mão-de-obra qualificada escassa. 

Setor Agrícola: Medidas Institucionais 

•  Criação do Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR): linhas de crédito acessíveis e baratas aos agricultores.
•  Adoção de políticas de garantias de preços mínimos (PGPM) com dois mecanismos básicos:
• AGF (Aquisição do Governo Federal): compras feitas pelo governo de produtos com preços prefixados (estocar e vender em momentos de escassez do produto no mercado).
• EGF (Empréstimo do Governo Federal): financiar a estocagem do produto pelo agricultor.

Setor Agrícola: Modernização 
• EMBRAPA: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. 
•  Aumento do grau de mecanização e quimificação das fazendas para aumentar a produtividade do setor.
•  Aumentar a produção de bens exportáveis (soja e laranja) e produtos destinados ao mercado doméstico (cana-de-açúcar e álcool).
• Proálcool.
Setor Agrícola: Modernização 
• Expansão da fronteira agrícola na direção da região Centro-Oeste: área cultivada passou de 29 milhões de ha (1960) para 50 milhões em 1980. 
• Crescimento da agroindústria (interligação entre o setor agrícola, seus fornecedores e consumidores). 
• Aumento da concentração fundiária e da utilização de mão-de-obra temporária. 

Do Crescimento forçado à Crise da Dívida 

A Ciranda Financeira 

• Viabilidade ao Sistema Financeiro: governo empresta a taxas subsidiadas (prefixadas) e amplia a liquidez primária (evitar a insolvência do setor nominal). 
Consequências: 
–  a elevação do déficit público (pelo spread negativo).
–  perda do controle monetário.
–  aumento do passivo do setor público.
Brasil: final dos anos 70 e início dos 80
• Transformações no cenário internacional e vulnerabilidade.
– Choque do petróleo (1979) e elevação da taxa de juros 
internacional 
– 1979 ano do início da crise cambial. 

• Elevação dos juros internacionais: Brasil com endividamento crescente. 

Brasil: final dos anos 70 e início dos 80 

•  Deterioração da situação fiscal do Estado com:
– Redução na carga tributária bruta.
– Aumento no volume de transferências: juros da dívida. 
– Estatais: foco de déficits.
•  Pressões inflacionárias: 77% a.a..
• Mudança de governo (Geisel por Figueiredo) e abertura
política.

Governo Figueiredo 
João Batista de Oliveira Figueiredo: 1979 a 1985. 
•  Continuação da abertura política iniciada no governo Geisel.
•  Concessão de anistia aos exilados.
•  Maior liberdade sindical.
•  Reformas partidárias: criação de novos partidos políticos.
•  Ministro do Planejamento: Mário Henrique Simonsen.
•  Diagnóstico Básico para Desequilíbrios Externos e Inflação: Excesso de Demanda Interna = Déficit Público.
• Política Econômica:Controle da Demanda Agregada. 

• Grande reação política: substituição do ministro em 1979.
Delfim Netto 
• Assume a SEPLAN (SecretariadePlanejamento).
• Discurso desenvolvimentista e de combate à inflação (reedição do 
Milagre Econômico).

• Delfim: combate à inflação com crescimento. 

• Controle das taxas de juros.
• Expansão do crédito para a agricultura.
• Criação da SEST (Secretaria Especial das Empresas Estatais).
• Revogação da Lei do Similar Nacional.
• Estímulo à captação externa. 

Delfim Netto: Resultados 
  • Maxi-desvalorização de 30% do cruzeiro em dezembro de 1979. 

• Aceleração inflacionária para os 100% a.a.
- Aumento dos preços e da semestralidade salarial. 

• Acentuação do processo especulativo devido à maxi-desvalorização cambial e aumento do custo de bens importados. 

• Cenário Internacional: maior crise internacional no pós guerra. 
- Segunda Crise do Petróleo.
- Elevação das taxas de juros internacionais: elevação dos 
juros nos EUA.
- Aceleração inflacionária. 


A Crise do Endividamento

Dívida Externa: de 1974 a 1984 
Resultados do Ajuste “Voluntário”:
• Profunda recessão em 1981 e 1983 e baixo crescimento em 1982. 
• Aceleração da inflação em 82, estabilizada em 100% nos anos de 1981 e 1982. 
• A política de comércio exterior foi bem sucedida: a balança 
comercial sai deficitária em 1980 para superávits de US$ 6,5 
bilhões em 1983 e um recorde de US$ 13 bilhões em 1984 

Problemas Internos do Ajuste 
Situação fiscal do setor público deteriorada. 
1) Maxi-desvalorizações aumentavam o custo interno do serviço da dívida externa. 
2) Recessão diminuía a base tributável. 
3) Taxa de juros interna elevada encareciam a rolagem da dívida externa. 
4) A aceleração inflacionária diminuía a arrecadação 

1984: Contexto de Mudança de Governo. 
• Movimento: Diretas Já. 
- Desemprego como ameaça latente.
- A inflação mostrava-se renitente a políticas ortodoxas. 

Resultado Final: Fim do Governo Militar e início da Nova República com esperança de ajustamentos sem sacrifícios para a população. 

A saga dos planos heterodoxos: a economia brasileira de 1985 à 1994 
Planos Heterodoxos 
•  Meta Principal: Combate à inflação.
•  Diferentes planos de estabilização:
• Cruzado (1986), Bresser(1987), Verão (1989), Collor I (1990), Collor II (1991) e Real (1994).
•  Diagnóstico da Inflação Inercial.
•  Elemento principal: congelamento de preços.
• Oscilações na inflação e no crescimento
• Ambiente de democratização: 1988 Nova Constituição.
•  Até Plano Real: Brasil praticamente excluído do fluxo de capitais internacionais.  

Governo Sarney: 1985 a 1990 
• Inflação em alta desde 1973: choques internos e externos. 
•  1981/1983: superávits na Balança Comercial sem efeito sobre inflação.
•  Economia em recuperação depois da recessão do início da década.
• Balança Comercial: relativo equilíbrio.
• Queda nas importações e aumento das exportações. 
  • Recuperação da economia mundial.
  • Amplos superávits comerciais. 
• Inflação Alta: 200% a.a.
• Quadro político incerto: Tancredo Neves. 

Ortodoxia na Economia 
Pensamento Ortodoxo:
• Inflação: decorrente de déficits públicos. 
  • Eleva a demanda e força a alta dos preços. 

Combate à Inflação:
• Retração da demanda.
• Setor privado: elevação dos impostos.
• Setor público: queda dos gastos públicos.
• Combate inflacionário via política recessiva 

Heterodoxia na Economia 
Pensamento Heterodoxo:
• Inflação: combatida via apelo ao controle da demanda. 
  • Combate à Inflação:
  • Congelamento de preços.
  • Congelamento de salários. 

Debate: Heterodoxia 
Inercialistas: 
• Estruturalismo: fatores estruturais e mecanismos de propagação da inflação. 
• Inflação: choque x tendência
• Inércia: mecanismos formais e informais de indexação. 
• Correção monetária de preços, salários, câmbio e aPvos financeiros. • Duas opções de combate: 
a) Choque heterodoxo: congelamento de preços.
b) Moeda indexada: indexação total (atrelar preços ao dólar) 

Plano Cruzado 

Plano Cruzado: Medidas 
• Lançado em 28/02/1986 (Congelamento de preços).
• Substituição da moeda: cruzeiro por cruzado
• Conversão salários: aumentar a renda dos assalariados. 
  • Poder de compra últimos 6 meses + abono 8%.
  • Salário mínimo: abono de 16%. 
• Gatilho Salarial: acionado toda vez que a inflação atingisse 20%. 
  • Congelamento preços (exceto energia elétrica: + 20%).
  • Fixação da taxa de câmbio. 
• Diferentes regras para ativos financeiros:
• Contratos pós fixados: menos de 1 ano não seriam 
indexados.
• Caderneta de poupança: reajuste trimestral.
• Contratos pré fixados: Tablita. 
• Tabela de conversão com desvalorização diária de 0,45% (cálculo médio de inflação). 
• Não foram estabelecidas metas para a política monetária e fiscal. 

Plano Cruzado: Resultados 
•  Sucesso do plano: queda abrupta da inflação.
•  Congelamento de preços: principal elemento.
• Distorções de preços.
•  Sonho da inflação zero.
•  Crescimento econômico pós plano.
•  Queda do desemprego e aumento dos salários nos primeiros: Ilusão monetária.

• Expansão da Demanda: pressão sobre diversos mercados.
• Preços defasados. 
• Excesso de demanda em setores como vestuário e carros usados. 
• Escassez de produtos: leite, carne e automóveis.
• Filas de espera. 


Cruzadinho 

• Cenário:
• Taxas de juros reais negativas e evasão de capitais: pioram a situação externa.
• Alternativas para romper o congelamento: Plano Cruzadinho em 24/06/1986.
• Aumento do preço dos carros e combusmveis em 30%. 
• Encarecer o crédito ao consumidor e baratear o crédito às empresas. 
• Estímulo ao financiamento de longo prazo. 

• "Cruzadinho”: tímido pacote fiscal que envolvia gasolina, automóveis, moedas estrangeiras e passagens aéreas internacionais. 
• Expectativas de descongelamento deram um novo impulso à demanda. 

Cruzado II 

•  Governo: congelamento de preços até as eleições, em 15 de novembro de 1986.
• PMDB: vence as eleições (José Sarney).
•  21 de novembro: Plano Cruzado II
•  Controlar o déficit público.
•  Aumento dos impostos e tarifas.
•  Realinhamento de preços: saída descoordenada do congelamento
• Elevação da taxa de juros real.
• 1987: inflação em 16.8% ao mês. 
• Reintrodução de mecanismos de indexação
• Desaquecimento da economia com queda da demanda e 
profunda desestruturação da oferta. 
• Saldos negaPvos da balança comercial. 
• Moratória em fevereiro de 1987: negociação da dívida externa.
• Inflação: superou os 20% a.m. 


Final do Cruzado II 
  • Agentes econômicos: Expectativa de Congelamento.
  • Redução da credibilidade do governo: enganador e 
manipulador. 
  • Ensinamentos:
    • Necessidade controlar Demanda Agregada.
  • Atenção com contas externas.
    • Cuidado com problemas distributivos.
    • Congelamento não por tempo indefinido. 


Plano Bresser 

• Lançado em 12/06/1987. 
• Medidas para conter aceleração inflacionária: 
•  Congelamento salários e preços (3 meses).
•  Congelamento de aluguéis.
•  Contratos pós fixados foram mantidos e para os pré fixados introduziu-se a Tablita (desvalorização de 15% a.m.)
•  Cria URP (Unidade Referencial de Preços) para reajuste de salários pós congelamento: correção dos salários dos três meses seguintes com base nos três meses anteriores.
•  Desvalorização cambial.
Problemas do Plano Bresser 

  • Queda na produção industrial.
  • Desequilíbrios de preços relativos: pressões sobre custos.

  • Resultado: volta da inflação.
    • Pressões por reposições salariais.
    • Fracasso na contenção do déficit público.
    • Fragilidade política : de 4 para 5 anos de mandato 


Raízes do Plano Verão 
•  1987: Bresser pediu demissão.
•  Assume o Ministro Maílson da Nóbrega.
•  1988: Política “Arroz com Feijão”.
•  Nenhuma mágica iria ser tentada para contenção da aceleração inflacionária.
•  Objetivo: estabilizar a inflação em 15% a. m.
•  Congelamento de empréstimos ao setor público: reduzir
déficit operacional do governo.
•  Contenção salarial.
•  Redução no prazo de recolhimento de impostos.

  • Inflação: abaixo de 20% a.m. no primeiro semestre.
  • Constituição de 1988: piora as contas públicas e aumenta o custo da mão-de-obra. 
• Aumento das transferências de impostos para estados e municípios. 
• 3/01/1988: suspensão da moratória.
• Final de 88: inflação superior aos 30% a.m. 


Plano Verão: Medidas 
  • Lançamento em 14/01/1989.
  • Ortodoxia: controle DA (juros altos e queda no déficit público).
  • Heterodoxia: congelamento de preços.
  • Reforma monetária: Cruzado Novo . 
  • Corte de três zeros no cruzado: 1,00NCz$ = Cz$1.000,00
  • Crescentes déficits públicos.
    • Final de 1989: eleições.
    • Final do governo Sarney: inflação aPngiu 80% a.m. 

Governo Sarney 

  • Grande descontrole das contas públicas.
  • Aumento nos déficts operacionais.
  • Crescimento do endividamento interno.
  • Taxas de juros reais elevadas. 

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